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Vamos falar de LGBTQIAP+ e o Mercado de Trabalho?


Neste mês de junho comemoramos o Mês do Orgulho #orgulhodeser

Você sabe por que? Conhece sobre o dia 28 de junho? Veja o vídeo a seguir!


De acordo com o site Profissas.com.br, o mercado de trabalho ainda é hostil com a contratação de LGBTQIAP+ e isso faz com que cada vez mais pessoas tenham a tendência de esconder sua orientação sexual por medo de perder o emprego. Sem contar que muitos já sofreram discriminação direta e relataram um enorme constrangimento.


Hoje, vamos conversar com a Heloísa e com o Jardel, e eles vão nos contar um pouquinho sobre LGBTQIAP+ no Mercado de Trabalho.


Você sabe o que significa todas as letras? Conheça no vídeo sobre LGBTQIAP+



1. Vocês acham que o Mercado de Trabalho ainda tem muito preconceito nas contratações?

(Helô) Sim! Ainda há muito isso, infelizmente. Sempre fui uma pessoa muito sincera nas entrevistas de emprego, e quando dizia que morava junto com minha ex-namorada, os(as) recrutadores(as) olhavam meio “torto”, mas nunca chegaram a dizer a nada explicitamente. Depois que sofri preconceito em um lugar que trabalhei, nunca mais falei sobre minha vida pessoal de uma forma geral, tanto em entrevistas quanto no ambiente de trabalho em si.
(Jardel) Sim, não generalizando. Mas ainda existe um preconceito grande para contratar. Muitas das vezes usando “desculpas” para não contratar. Colocando o preconceito/ignorância na frente da nossa formação e da nossa capacidade.

Heloísa

2. Eu confesso que nunca me perguntaram sobre orientação sexual em uma entrevista, mas vocês já receberam essa pergunta ou conhecem alguém que recebeu? Pode nos contar qual foi a reação ou o que veio na mente ao receber a pergunta?

(Helô) Nunca me perguntaram sobre minha orientação sexual em uma entrevista de emprego de forma explicita, porém já me perguntaram se eu namorava, se eu pretendia filhos etc. Em um certo emprego que tive, depois de contratada, minha gerente insistia em “jogar” indiretas para mim perguntando se eu tinha namorado e eu sempre respondia que não, até que ela disse “ou namorada né?”, e eu simplesmente continue negando, apesar de morar junto com minha ex-namorada naquela época. Considero várias perguntas que fazem muito íntimas e invasivas, – seja nas entrevistas ou no ambiente de trabalho - independente de questões de gênero e orientação sexual. Deveria haver um maior controle sobre isso ou bom senso por parte dos recrutadores e empresas.
(Jardel) Não, nunca me perguntaram. Mas já ouvi de pessoas próximas a mim, que passaram por isso. Não questionaram a sexualidade escancarado, mas perguntaram das vestes, gestos, jeito de se expressar. Como se a capacidade de alguém em exercer uma função estivesse totalmente pautada em cima disso.

3. E acham que muitos LGBTQIAP+ escondem sua orientação sexual por medo de não conseguir a vaga?

(Helô) Sim, com certeza! Tenho um amigo que tem um cargo um pouco mais acima em questão hierárquica dentro de uma empresa. Ele não é “assumido” no emprego. Porém “jogam” indiretas e “piadinhas” para ele. Ele simplesmente ignora. O ambiente corporativo ainda é muito conservador em sua maioria, mesmo em grandes cidades.
(Jardel) Sim. Acredito que todo LGBTQIAP+ em algum momento da vida (não só no ambiente de trabalho) já escondeu parte de quem era por medo de não se encaixar, por receio de não ser aceito.

4. No caso de esconder, eles estariam optando pela “Heteronormatividade"? O que vocês pensam sobre isso?

(Helô) Não só no ambiente de trabalho, mas em todos os âmbitos da vida! A sociedade nos impõe muitos padrões: ser heterossexual, casar-se, ter filhos... Durante muito tempo fui “reprimida” porque sofria bullying na escola. Quando adolescente comecei a namorar um menino, e minha fama de “sapatão” passou para a de bissexual. Anos depois, na minha primeira graduação, a universidade era um espaço superaberto e “livre”, e me descobri como lésbica, e hoje é como me identifico.
(Jardel) Sim, assim como falei na resposta anterior. Por medo/receio a gente acaba “forçando” uma postura que não é nossa, a gente se molda pra ter aceitação, e quando estamos em lugares que nos sentimos acolhidos, que podemos ser quem a gente é, a gente meio que se questiona quem somos de verdade. Por causa de lugares e pessoas que por tanto tempo nos forçaram a ser diferentes, para de alguma forma se encaixar na sociedade.


5. Já sofreram uma forte discriminação no trabalho? Foi tomada alguma atitude da empresa sobre isso?

(Helô) Quando me “assumi” em um emprego, reagiram aparentemente super bem, mas depois fiquei sabendo que fizeram piada pelas minhas “costas” e fiquei me sentindo muito idiota. Já sofri também assédio por parte de um “cara” que trabalhou comigo e que deu em cima de mim. Um outro “cara” com quem trabalhei também fiquei sabendo de falas dele bem machistas e de assédio também. Mas já tive experiências boas também. Trabalhei certa vez em um ambiente muito diverso e bacana, que era uma empresa de telemarketing/call center, e eu me sentia super à vontade lá, e simplesmente era eu mesma. Havia pessoas de todos os jeitos, de idades distintas, estilos diferentes, mas todos de “mente aberta” e muito receptivos.
(Jardel) Não, nunca sofri algo parecido. mas muito me questiono como a empresa que eu estivesse trabalhando agiria diante de algo assim.


6. Essa pergunta é meio óbvia, mas gostaria que reforçassem sobre e talvez algum complemento desconhecido. Qual é a maior dificuldade dos LGBTQIAP+ no Mercado de Trabalho?

(Helô) Acredito que a maior dificuldade é poder ser você mesmo com naturalidade em seu trabalho. Às vezes é preciso conter muito seu jeito para passar “despercebido”. Para os que procuram emprego, é o próprio fato de ser LGBT+. Porém vale destacar que quem mais sofrem no mercado de trabalho é a população transexual. E quanto mais minorias você for, pior é. Pense em você ser LGBT. Agora pense você ser LGBT e preto. Agora pense você ser LGBT, preto e da periferia. Com tudo isso, vai se tornando cada vez mais e mais difícil ingressar no mercado de trabalho, infelizmente. Por isso é preciso olhar com atenção para toda essa população, que é tão qualificada quanto qualquer outra. É necessário programas por parte das empresas e/ou até mesmo pelo governo para os inseri-los no mercado de trabalho, tirando-os da marginalidade.
(Jardel) Acredito que ser visto como todos, que a sociedade nos visse e acreditasse que somos capazes (porque de fato somos) de ocupar qualquer cargo. Desde o porteiro que abre o prédio até o sócio majoritário de uma empresa.


7. Querem deixar algum recado, falar algo que faltou sobre o tema?

(Helô) Sim! Às vezes por termos que sobreviver, nós sujeitamos a muitas coisas. Mas caso você tenha a oportunidade de dizer não ao que não merece, diga! Temos que falar sobre, temos que levantar bandeira, temos que ser bem coloridos e cheios de purpurina mesmo, para não passarmos despercebidos e fazer com que cada vez se “naturalize” mais nossa presença em todos os âmbitos, e que possamos ser nós mesmos sem nos preocupar em não passar em uma entrevista de emprego, ou perder o emprego atual por conta disso. Vale lembrar que atualmente a bandeira LGBT+ aderiu às cores preta e marrom para representar as pessoas pretas e pardas, e é de extrema importância abraçar todas as causas. A intenção é representar e lutar pelos direitos de todos.
(Jardel) Eu nunca pensei em falar abertamente sobre minha sexualidade, não por medo, receio, nem nada do tipo. Até porque sempre procurei me cercar de pessoas de bem, pessoas que sempre me olharam com carinho/admiração. Que mesmo em silêncio me fizeram sentir à vontade pra ser quem sou. Então, nunca fiz muita questão de expor pra todo mundo. Mas olha como a vida é cheia de surpresas, hoje eu estou aqui contando para todos que estão lendo esta entrevista o quanto HOJE eu sinto orgulho de mim, orgulho de quem eu sou. Quando recebi o convite pra falar do mês do orgulho, confesso que fiquei um pouquinho com receio em aceitar mas, foi graças a um empurrãozinho de uma amiga (que conheci esse ano) que resolvi aceitar. Resolvi aceitar porque a gente acaba se instalando dentro de uma bolha e ali fica, só que chega uma hora que a gente quer sair (senão vamos passar a vida toda escondidos atrás do medo) e ninguém quer viver a vida escondido, a gente quer viver, a gente quer mostrar quem a gente é de verdade. Eu carrego uma bagagem muito grande de timidez comigo, mas será que é só timidez mesmo ou eu nunca pude ser quem eu sou de verdade ali naquele lugar? Se eu puder dar um conselho à vocês, que por algum motivo tem medo, vergonha, por causa de algo que já ouviram na vida, não se escondam, não deixe o julgamento dos outros apagar quem você é! NINGUÉM vai nos dizer quem somos, nem quem devemos amar. Nossa verdade só a gente sabe. Obrigado Fatec Jaboticabal pelo espaço! Agora entendo o motivo de todos que estudam aqui saírem mais felizes e carregados de conhecimento e admiração. Obrigado Diretor, Valeria, professores, colegas/amigos de sala, moças da limpeza, vigilantes e coordenação.


Heloisa (aluna)

Agradecemos a Heloisa e o Jardel, alunos da Fatec Jaboticabal, por darem essa oportunidade de falar sobre LGBTQIAP+ e o Mercado de Trabalho, nos contanto também um pouco do seu lado pessoal.

Jardel (aluno)

Continue acompanhando as notícias, entrevistas e não se esqueçam, independente da orientação... tenha #orgulhodeser e lembre-se que é muito importante falar sobre a diversidade, afinal, somos compostos por pessoas de diferentes histórias, crenças, raças e etnias, orientações sexuais, gêneros, entre outros, e temos que proporcionar a oportunidade de reforçar o nosso desenvolvimento como sociedade.

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